Trabalhos People 2008
July 30, 2009
Resposta ao amigo Alex
July 29, 2009
Sobre Fargo: Não há como ignorar que alguns filmes são atemporais – Laranja Mecânica, Carrie (A estranha) dentre outros – mas, uma grande parte de filmes muito bons não é, o que não diminui seu valor. Eu não tenho visto Fargo há muitos anos mas quanto ao seu comentário em www.alexxxsouza.blogspot.com acho que a grande questão desse tipo de filme é o valor que tinham a época em que foram lançados, no caso em torno de 1995.
Naquela época, assistir Fargo era ver o que não se tinha visto até então. Era novo, inesperado, sombrio, ultra-amarrado e inteligente. Coloco na mesma categoria filmes brilhantes que também quando assistidos hoje em dia não causam o mesmo frio na barriga e aquela sensação “acabei de presenciar algo novo que vai mudar o cinem para sempre”, como causaram em mim na época em que os vi – Pulp Fiction, Trainspotting, Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos, O Profissional e etc. O que quero dizer é, você tinha que estar lá pra entender.
A mesma coisa aconteceu quando apresentei para um amigo uma das melhores bandas do mundo, o Massive Attack. Ouvindo “Protection” ele disse, “parece qualquer música que toca em elevador de hotel hype de NY”. Sim, sim. Ele até tem razão. Mas essa música de elevador está sendo produzida assim porque uma galera em 1996 lançou um CD que chocou o mundo. não tinha nada mais moderno que aquilo acontecendo naquele momento, talvez Bjork e Krafterwerk – Radiohead tava engatinhando….
Acho que qualquer artista quer sempre lançar algo que seja um divisor e, ao mesmo tempo, que não perca a emoção com o passar do tempo. Numa época tecnológica de milézimos de segundo, isso fica cada vez mais raro. Os gênios se repetem mas, de quando em quando, aparece algo que independe da geração e aí dá pra lembrar porque que tudo o que diz respeito aquele artista merece o mesmo valor.
Ah, tenho de acrescentar, um filme se torna especial quando, de alguma forma, a história se relaciona com a sua própria história, por exemplo – continuando nos irmãos Cohen – O Grande Leboswki: a cena em que ele bate o carro fumando um beque, pergunta quantas vezes eu já vi isso acontecer? Não tem como não se identificar. Outro exemplo, Elizabeth: ser a mulher mais poderosa da Europa, ruiva e linda como a Cate Blanchett, transar com quem bem entender, e não ceder as pressões do casamento. Impossível não se identificar. Por isso ADORO esses filmes.